A minha ligação às artes marciais começou através do meu irmão mais velho, praticante de Judô. Desde muito cedo observei os seus treinos e competições, despertando em mim uma curiosidade que acabaria por marcar toda a minha vida.
Aos doze anos iniciei a prática de Karate, onde aprendi os primeiros valores da disciplina, do respeito e da perseverança. Alguns anos mais tarde descobri o Jujutsu. Apesar de inicialmente não me sentir atraído pelas quedas e projeções, aceitei o desafio e dei o primeiro passo naquele que viria a tornar-se o caminho da minha vida.
Iniciei o meu percurso no Jujutsu há mais de duas décadas. Desde então, tenho dedicado o meu caminho à prática, ao estudo e ao aperfeiçoamento contínuo, procurando aprender sempre como se fosse a primeira vez, participando em seminários, estágios e partilha experiências.
Ao longo destes anos, compreendi que o verdadeiro Budō é muito mais do que um conjunto de técnicas. É um caminho de desenvolvimento permanente, onde cada treino representa uma oportunidade para fortalecer o corpo, aperfeiçoar a mente e cultivar o caráter.
Foi também durante este percurso que nasceu um profundo interesse pela história, pela filosofia e pela preservação das artes marciais japonesas. O estudo do Nihon Jujutsu, do legado de Shizuya Sato, da visão de Minoru Mochizuki e da filosofia educativa de Jigoro Kano influenciou profundamente a forma como compreendo o Budō e a maneira como hoje procuro transmiti-lo aos meus alunos.
Continuo a acreditar que um verdadeiro praticante nunca termina a sua aprendizagem. É essa procura constante pelo conhecimento que orienta o meu percurso e inspira o trabalho desenvolvido na Dōjin Dōjō.
A Dōjin Dōjō nasceu de uma reflexão profunda sobre os desafios da sociedade atual. Vivemos numa época em que, muitas vezes, o individualismo, a falta de tempo para os outros e a perda de valores como o respeito, a empatia e a compaixão parecem ganhar cada vez mais espaço.
Como pai, essa realidade fez-me pensar no mundo em que a minha filha iria crescer. Foi nesse momento que compreendi que o Budō podia ser muito mais do que uma arte marcial: podia ser um caminho para ajudar a formar crianças e adultos mais conscientes, mais responsáveis e mais atentos ao próximo.
Foi desta convicção que nasceu a Dōjin Dōjō e a Dōjin Ryū Jujutsu. Mais do que ensinar técnicas de defesa pessoal, o objetivo é transmitir valores que possam acompanhar cada aluno ao longo da vida.
Por essa razão, o ensino começa desde os 4 anos de idade. Acreditamos que é na infância que se constroem os alicerces do caráter e que valores como a compaixão, o respeito, a humildade e a responsabilidade devem ser vividos desde cedo, através do exemplo, do treino e da convivência.
Na Dōjin Dōjō acreditamos que uma escola de artes marciais deve formar pessoas antes de formar praticantes. Se conseguirmos que cada aluno saia do dojo não apenas mais competente, mas também mais humano, então estaremos a cumprir a nossa verdadeira missão.
Acredito que o Budō não tem uma linha de chegada.
Continuo a estudar, a treinar e a aprender, porque acredito que um verdadeiro instrutor nunca deixa de ser aluno.
"O caminho do Budō não termina."